sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dia 8 - "Tudo pode se aprender entre as flores"


  O trabalho de Geografia havia sido marcado para ser entregue na próxima quarta-feira. Sabendo que meus pais são responsáveis a ponto de ainda não terem desempacotado toda a mobília, não seria possível ser feito em minha casa e por este mesmo motivo fora marcado na casa de Matheus (mesmo com um pouco de hesitação de ambos os lados). 
  Fora isso, o dia na escola fora monótono além da conta. As coisas só começaram realmente acontecer quando minha turma foi liberada para casa na hora do almoço. Almoçei as pressas em um restaurante próximo e me apressei em chegar na loja de seu pai. Todas as sextas eu iria substituir meu pai na loja (curso de jardinagem, vai entender), mas não estaria sozinho. Ian estaria comigo lá entre as rosas, margaridas, tulipas... E outras chatices vivas que chamam de flores.
  Chegando lá, meu pai já estava de saída e Ian já estava atrás do balcão com o uniforme e o avental verde com o logotipo da loja. 
  É, meu pai não tem mesmo bom gosto...
   Troquei de roupa nos fundos da loja e fui para a recepção. Sem aviso algum fui recebido com um abraço apertado dele, como se já fôssemos amigos a muito tempo. Quando me esquivei daquela forma de afeto de intenção duvidosa, ele somente riu e foi aparar as rosas sem nem menos explicar o que havia acontecido.
  Fingindo que nada havia acontecido (difícil), fui trabalhar no caixa e lá fiquei até o fim do expediente. Criando uma coragem que nem mesmo eu conhecia, resolvi perguntar o porque daquela demonstração de afeto desesperada. Ele simplesmente respondeu com um sorriso de orelha a orelha: "Somos amigos, não?" - Fechou a loja e saiu caminhando após acenar calorosamente em despedida(sorrindo como o de costume).
  Mas... Mas o que foi isso?
  Minha casa ficava a menos de duas quadras dali, e a de Ian também pelo visto, pois ele andara a pé até entrar na portaria de um prédio próximo (mas que droga!). Subi as escadas como um zumbi e caminhei até o quarto, notando que todos já estavam em suas camas.
  Desabei na cama como árvore em queda, e estou aqui tentando achar um sentido para tudo que me aconteceu hoje...
  O que... O que foi exatamente aquilo?!



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