Sem grandes explicações, minha escola estava sem luz hoje e as aulas foram suspensas até o dia de amanhã. Não era um motivo de grande agradecimento, até porque o meu professor de álgebra fez questão de passar dez páginas de exercício como se soubesse o que aconteceria no dia seguinte.
A notícia só chegou aos meus ouvidos de manhã cedo, e quando soube voltei logo a dormir. Acordei perto da hora do almoço, que foi feito pela minha mãe que não tem dom culinário algum (na maioria das vezes eu que faço a comida nessa casa). Fiz os trabalhos até as quatro da tarde, e por algum motivo ficava lembrando do sorriso do Matheus e do olhar devorador de almas de Alice ao saber do fato.
Eu... Eu não fiz nada, eu só... Porque ela agiu assim?
O interfone tocou. Reconheci a voz de Ian de imediato (esse garoto não tem vida?). Ele me deu um boa tarde digno de Rainha dos Baixinhos e pareceu achar aquilo engraçado. Me convidou para ir a um restaurante japonês novo que tinha aberto perto de nossa casa na sexta-feira, mas quando eu ia recusar ele disse que levaria a namorada. - O que? Namorada? Como... Porque... Ele não gos...
No fim de tudo concordei em ir. Mas eu não poderia ir sozinho, quem eu iria levar? Alice? Fora de cogitação... Porque tudo se complicava quando você mais precisa de ajuda?
Voltei para o meu quarto e abri o livro na página que havia parado. Não conseguia continuar, algo na minha mente estava completamente perturbado. Mas o que? Não tinha nada demais daquilo, ele era meu amigo e queria me apresentar a namorada dele... A namorada...
Porque eu estou me preocupando com isso afinal? Era de se esperar ele ter uma. Ele é inteligente, dedicado, ajuda os pais com o salário, tem boa aparência e... Tem boa aparência?! Porque eu disse isso?! Eu nem reparo nisso... Reparo?!
Onde eu estou com a cabeça?! Nós dois somos homens, ele tem uma vida e quem sabe uma futura família. Eu não posso... Eu...
O que é isso que eu estou sentindo?!
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