quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dia 6 - Degraus de pedra

  

  Se eu pudesse escolher uma só palavra para descrever o segundo dia de aula, seria: monotonia (até certo ponto). Alguns novos professores, a matéria já havia começado e eu nem tinha notado que estava na sala de aula ainda. 
  Apesar de quase dormir na aula de Química com a linda voz de documentário de meu professor, a Educação Física foi divertida apesar de não ser uma das minhas preferidas.
  Eu fiz uma cesta! Sim, isso é muita coisa pra mim... Depois de um pouco de suor e empurrões, claro. Mas fiquei radiante de fazer o meu time obter alguns pontos a frente, não foi a melhor jogada de minha vida mas valeu cada segundo.
  Estava tudo bem até que a aula terminou e fomos liberados para ir para casa. Como sempre, eu esqueci alguns livros debaixo da carteira e tive que retornar a sala enquanto todos iam embora. Eu estava descendo a escada quando senti o chão faltar e pisei em falso num degrau com uma distância mal calculada (Desastre é o meu nome do meio). Não havia corrimão e tentei me equilibrar em vão, caindo em direção a dois ramos de escada de pedra em segundos que pareceram durar uma eternidade.
  Quando pensei que ia acordar em coma depois de três meses, senti uma mão segurar me camisa e me vi pendurado como uma tábua. Primeiro olhei ao redor e senti uma náusea ao observar a altura que teria a queda, e logo depois olhei para o rosto do anjo que havia me segurado. Ainda não tinha acreditado no que havia acontecido, e olhei para ele com uma expressão que deveria ser aterrorizante, até porque ele também não estava com uma cara feliz...
  É o garoto do fundo da sala! Tinha me esquecido que ele sempre era o último a sair...
  Ele me puxou para cima, e saiu andando apressadamente antes mesmo de eu poder agradecer. Eu segurei sua manga e ele desviou de forma brusca, dizendo apenas: "Não precisa agradecer novato". Não sou nenhum especialista no assunto, mas poderia jurar que vi seu rosto com uma vermelhidão acentuada nas bochechas.
  Não era nenhum durão, mas também nenhum bobalhão... Era... Normal. 
  Agradeci enquanto ele andava apressadamente para a porta com seus livros quase caindo de seus braços. Nem ao mesmo sabia o nome dele para agradecer de forma correta...
  Voltei pra casa, revisei as matérias, e agora estou no computador até onde meu sono permitir... Qual o problema dessas pessoas? Há pecado em salvar algum desastrado de uma queda mortal? As garotas nunca haviam falado sobre ele, mas percebi que nem ao menos tinha perguntado.
  Quem é ele afinal?!
  
  
  
  

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